Menopausa: quando os sintomas começam e como tratar com acompanhamento especializado
Dra Camila Cambiaghi • 23 de abril de 2026

O que é a menopausa?


Mas o que exatamente é a menopausa? Na medicina, existe uma definição bastante objetiva. Dizemos que uma mulher entrou na menopausa quando ela passa 12 meses consecutivos sem menstruar. Mas essa definição levanta algumas questões importantes. O que acontece se a mulher tem ciclos irregulares? E se ela fez uma histerectomia? Ou se usa um DIU hormonal e praticamente não menstrua? E mais uma curiosidade: se for um ano bissexto, são 365 ou 366 dias? Na prática, a menopausa representa algo muito mais importante do que simplesmente parar de menstruar. Ela marca o momento em que os ovários deixam de produzir hormônios de forma significativa.

Por que entramos na menopausa?

E para entender por que isso acontece, vale a gente voltar ao início da vida. As mulheres nascem com todo o estoque de óvulos que terão para sempre. Quando ainda estamos no útero da nossa mãe, por volta de cinco meses de gestação, atingimos o pico da reserva ovariana, com cerca de cinco a oito milhões de folículos. A partir daí, começa uma perda natural e contínua. Ao nascer, restam cerca de um a dois milhões. Na puberdade, aproximadamente trezentos mil a quinhentos mil. Aos trinta anos, em torno de cem mil a cento e cinquenta mil. E aos quarenta anos, esse número cai para cerca de vinte mil a cinquenta mil. A menopausa acontece quando essa reserva chega a um nível muito baixo, em torno de oitocentos a mil folículos funcionais. Ou seja, não é que o ovário fique completamente sem óvulos, mas ele já não consegue mais sustentar um funcionamento hormonal regular.

Como os hormônios regulam o ciclo e o início da menopausa

Outro ponto muito importante: a ovulação não depende apenas dos ovários, mas de um sistema integrado de regulação hormonal. Esse processo envolve o eixo hipotálamo-hipófise-ovariano, responsável por coordenar a produção e a ação dos hormônios ao longo do ciclo menstrual. O cérebro, por meio do hipotálamo e da hipófise, libera sinais hormonais que estimulam os ovários a funcionarem. Em resposta, os ovários produzem estrogênio e progesterona, que também atuam regulando esse sistema. Esse equilíbrio permite que o ciclo menstrual ocorra de forma organizada durante anos. Com o passar do tempo e a redução da reserva ovariana, os ovários passam a responder de forma menos eficiente a esses estímulos. Como consequência, ocorre uma desorganização progressiva desse controle hormonal, o que caracteriza a transição para a menopausa.

Perimenopausa: quando os sintomas começam

E é aí que entramos na perimenopausa. Os ovários passam a responder menos a esses estímulos. O cérebro percebe essa queda e tenta compensar aumentando os estímulos hormonais. Mas como o ovário já não responde da mesma forma, esse sistema entra em instabilidade. E o cérebro sente isso primeiro. Por isso, muitas vezes, os primeiros sintomas não são menstruais, mas sim sintomas relacionados ao cérebro: dificuldade de concentração, sensação de cabeça mais lenta, alterações de humor, ansiedade, irritabilidade, piora do sono e cansaço. E isso aparece muito no consultório. Muitas mulheres dizem: “eu não me sinto mais como antes”. E isso pode começar anos antes da menopausa. Os hormônios sexuais têm ação direta no cérebro. Eles modulam neurotransmissores importantes, como serotonina, dopamina e noradrenalina. Quando esses hormônios começam a oscilar, esse equilíbrio também se perde.

Principais sintomas da menopausa

Quando olhamos para os sintomas como um todo, eles podem aparecer em diferentes sistemas:

  • Fogachos
  • Insônia
  • Alterações de humor
  • Ansiedade
  • Dores articulares
  • Fadiga
  • Alterações cognitivas
  • Palpitações
  • Alterações urinárias

Mas isso vai além. Muitas mulheres também relatam sintomas como distensão abdominal, alterações gastrointestinais, tontura, enxaquecas, dores musculares, alterações de pele, queda de cabelo e outros sintomas menos específicos. E ainda existem inúmeros outros sintomas possíveis.

Impactos da menopausa no organismo

Depois da última menstruação, entramos na pós-menopausa. E essa fase pode durar décadas. E é aqui que começam os impactos mais amplos no organismo. Do ponto de vista metabólico, pode haver maior tendência à resistência à insulina, maior risco de pré-diabetes e diabetes. Também observamos alterações no colesterol, com aumento do LDL e redução do HDL. Além disso, há alterações inflamatórias de baixo grau no organismo. Do ponto de vista cardiovascular, o estrogênio tem um efeito protetor importante. Antes da menopausa, o risco cardiovascular da mulher costuma ser menor. Após essa fase, esse risco aumenta progressivamente. No sistema ósseo, o estrogênio é fundamental para manter a densidade óssea. Com a sua queda, há uma aceleração da perda óssea, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose. Na região íntima, ocorre o que chamamos de síndrome geniturinária da menopausa. Os tecidos ficam mais finos, mais sensíveis. Podem surgir secura vaginal, dor na relação, ardor, desconforto urinário e infecções recorrentes. Também existem mudanças visíveis na pele e no cabelo. A pele tende a ficar mais fina, mais ressecada, com perda de elasticidade. O cabelo pode ficar mais fino, com menor densidade.

Menopausa: tem tratamento e quando procurar ajuda

Estamos falando de uma condição que pode afetar praticamente todos os sistemas do corpo e durar uma parte significativa da vida da mulher. Não é algo pontual. É uma fase que precisa ser acompanhada, entendida e tratada de forma individualizada. Se você apresenta sintomas como insônia, irritabilidade, queda de libido, secura vaginal ou sensação de não se sentir mais como antes, é importante buscar avaliação especializada. O diagnóstico é clínico e o acompanhamento deve ser individualizado, considerando sintomas, exames e histórico de cada paciente.

Quando procurar um ginecologista especialista em menopausa em São Paulo?

É recomendável buscar a orientação de um ginecologista especializado em menopausa ao perceber os primeiros sintomas que interfiram na qualidade de vida. Em São Paulo, há diversos profissionais experientes nesse campo, capazes de oferecer um tratamento personalizado e atualizado. Consultar um especialista é vital para a escolha do tratamento mais adequado e seguro, considerando os riscos e benefícios individuais.


Quais são os sinais iniciais da perimenopausa?

Os sinais iniciais incluem ciclos menstruais irregulares, ondas de calor e mudanças de humor.


A terapia de reposição hormonal é segura para todas as mulheres?

A TRH não é indicada para todas as mulheres e deve ser avaliada caso a caso por um ginecologista, que considerará riscos e benefícios.


Quais atividades físicas ajudam a controlar os sintomas da menopausa?

Exercícios aeróbicos, como caminhar e nadar, aliados a treino de força e alongamento, podem ajudar a controlar os sintomas.


Posso usar remédios naturais para tratar sintomas da menopausa?

Sim, mas é aconselhável consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer tratamento fitoterápico.


Como a menopausa afeta o humor?

As flutuações hormonais podem causar alterações de humor, incluindo irritabilidade, ansiedade e depressão.


Como posso melhorar a secura vaginal na menopausa?

A secura vaginal na menopausa está relacionada à redução dos níveis hormonais, que leva ao afinamento e à menor lubrificação dos tecidos da região íntima. O uso de lubrificantes à base de água durante a relação e de hidratantes vaginais de uso regular pode ajudar a aliviar os sintomas. Em alguns casos, tratamentos hormonais podem ser considerados, sempre com avaliação médica individualizada. Além disso, tecnologias como o laser vaginal têm sido utilizadas com o objetivo de melhorar a qualidade dos tecidos vaginais, podendo contribuir para a redução da secura, do desconforto e da dor na relação. A escolha do tratamento mais adequado depende da intensidade dos sintomas, da avaliação clínica e das características de cada paciente.



Conclusão

A menopausa faz parte da história natural do corpo feminino, mas a forma como cada mulher vivencia essa fase pode ser muito diferente. Sintomas, intensidade e impacto variam — e é justamente por isso que a avaliação individualizada é fundamental. Se você percebe mudanças no seu corpo ou não se sente mais como antes, vale a pena investigar. Muitas vezes, há explicações claras — e caminhos possíveis para melhorar sua qualidade de vida.

Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica.


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